Abundantes chuvas, aumento de casos de dengue e excesso de umidade são indícios de que o verão chegou. Faça chuva ou faça sol, a atenção deve estar redobrada nessa época do ano. Segundo o Ministério da Saúde, a nova estação é época com o maior registro de doenças, como insolação, além de ocorrências de desidratação e intoxicação alimentar.
As secretarias de saúde do estado e dos municípios goianos já deram o alerta desde o início de janeiro. A população deve ficar atenta no que se refere à aplicação de vacinas, hidratação e cautela em relação aos alimentos e aos horários de maior radiação solar.
No caso dos trabalhadores que ficam todos os dias expostos ao sol, deve-se intensificar os cuidados. À exemplo da goiana Viviane Bruno, 33, que carrega, durante toda à tarde, o carrinho de açaí no centro de Goiânia. Desde o ano passado, a vendedora trabalha com o fruto nas ruas da capital.
Entre o sol forte e chuvas passageiras, Viviane, que está grávida de nove meses, convive com as enfermidades provocadas pelo sol quente do verão. “Tento ao máximo ficar nas sombras de lojas. Diariamente, antes de sair de casa, passo protetor solar e uso chapéus. Apesar disso, termino o dia com a pele queimada e dolorida.”
Nessas circunstancias, o dermatologista, especializado em doenças provocadas pelo sol, Carlos Menezes, dá o alerta para os casos de insolação. Os principais sintomas são desidratação e queimaduras na pele, além de dor de cabeça, tontura e febre. Algumas conjunturas mais graves podem provocar desde inconsciência até câncer de pele.
A questão do sol é de extrema importância. “Vendedores ambulantes, garis, policiais, trabalhadores rurais, operários da construção civil, e carteiros estão entre os profissionais mais vulneráveis à insolação e ao câncer, pois ficam expostos ao sol diariamente e por períodos prolongados”, explica.
O câncer de pele corresponde a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, mas pode ser prevenido, com alguns cuidados. De acordo com o dermatologista, se proteger utilizando apenas chapéus e bonés durante grande parte do tempo não é solução para o problema.
“Mesmo sem estar diretamente exposto, o trabalhador pode pegar insolação porque as ruas de concreto refletem a luz solar, elevando a temperatura do corpo. Cresceram as estatísticas de câncer de pele em todas as faixas etárias. O filtro solar deveria ser obrigatório para aqueles que trabalham expostos ao sol. O cuidado deve ser permanente”, reitera Menezes.
Em dezembro de 2011, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) começou a distribuir protetores solares a todos os servidores que executam os serviços expostos ao sol. A obrigação é regida por uma lei municipal, que determina que empresas públicas e privadas forneçam gratuitamente o filtro solar - com fator de proteção no mínimo 30 - e tem como objetivo prevenir o câncer de pele.
Saúde e sol
Com a chegada do verão, alguns cuidados devem ser tomados para que doenças que costumam ser frequentes nesta época do ano sejam evitadas. Segundo a dermatologista Beatriz Alves Justino, as condições de calor e umidade do ar favorecem a proliferação de bactérias e fungos.
Ela recomenda o uso de sabonetes anticépticos. “Eles estão indicados desde que não em excesso. Deve-se hidratar bastante a pele, lembrando que no rosto, a preferência deve ser com produtos livres de óleo. Os banhos são ótimos, mas com água morna e sem bucha.”
A ausência desses cuidados favorece a proliferação de micoses, que podem ser adquiridas de animais, terra, areia etc. As infecções bacterianas aparecem mais no verão pelas condições climáticas. “O excesso de chuva, umidade e calor solar são fatores externos para a multiplicação de bactérias em casas e apartamentos”, explica.
Beatriz dá o alerta. “Atenção especial com as crianças. Hoje existem roupas, chapéus com protetor solar que facilitam o cuidado em esportes e exposições prolongadas. São nas férias que o índice de insolação e desidratação infantil cresce. O cuidado nos clubes e parques é de total importância para um passeio saudável.”
Quanto à questão de manchas e envelhecimento da pele, a atenção vale para todo o dia, já que a radiação esta presente enquanto houver sol. Beatriz diz que não se devem subestimar dias nublados. “Eles costumam ser bem traiçoeiros.” Que o diga a estudante Luisa Magalhães, 19, que viu seu verão resultar em queimaduras, desidratação e incontáveis manchas na pele.
Em janeiro de 2011, a goiana viajou para o litoral carioca. Em uma tarde muito quente, mas com o céu nublado, Luisa ficou exposta sem nenhuma proteção solar. À noite, começou a se sentir mal. “Estava tonta e com muito enjôo de estômago”, recorda.
Com dor de cabeça, manchas vermelhas na pele e ardência nos olhos, a garota lembrou que não havia tomado água durante todo o dia. “Não me hidratei. Comecei a vomitar e me levaram para o hospital. Quando cheguei, tive que tomar soro para hidratar meu organismo.”
O caso de Luisa não foi tão grave quando comparado ao de seu irmão Alexandre, que acabou internado por queimadura. Ficou usando camisetas específicas para queimaduras de segundo grau por três meses, passou por um tratamento caro e dolorido e evitou durante um bom tempo, sol e luminosidade. Ainda assim, até hoje existem manchas em sua pele.
Casos de dengue recuam em Goiás
Não é só ao excesso de exposição ao sol que os goianos devem ficar atentos. Com as abundantes chuvas de verão, os problemas provocados pela dengue se alastram por todo o estado. Apesar disso, os casos de dengue em Goiás recuaram 65% no ano passado.
Em 2011, a dengue matou cinco pessoas em Goiânia. Também foi observada uma redução no número de óbitos no estado, de 93 em 2010, para 29, em 2011. Contudo, é no verão que o índice de casos sobe. A Superintendente da Vigilância em Saúde do Estado (Suvisa), Tânia da Silva Vaz, diz que as secretarias estaduais e municipais estão em alerta para este verão.
Os aumentos das visitas domiciliares se encontram ativas nas regiões periféricas e centrais da capital, assim como no interior goiano. A redução do número de casos de dengue, no ano passado, já era esperada pela secretaria, já que 2010 foi um ano de epidemia.
Mesmo com a redução, a expectativa é que a quantidade de casos volte a crescer com o período chuvoso e, por isso, a secretaria vai intensificar o combate à dengue. “O papel do Estado é de orientar os municípios. São as cidades que promovem as políticas públicas contra a dengue.”
“A probabilidade de se pegar dengue é muito grande, principalmente no início do período chuvoso. A população deve se conscientizar. Apertamos a mesma tecla há anos: não deixar água parada em pratinhos de plantas, garrafas com gargalo para cima, piscinas e caixas de água expostas”, explica Tânia.
Em reunião do Comitê Estadual contra a Dengue, em outubro de 2011, foi proposto que os cerca de 8 mil agentes comunitários de saúde também façam prevenção à dengue durante as visitas às casas. A capacitação dos agentes começou a ser feita no mês passada, e deve se prolongar até final de janeiro.
A expectativa é que até fevereiro, quando começa o período crítico da doença, 70% dos agentes estejam aptos a orientar a população para a prevenção à dengue. Esses profissionais se juntariam aos 3 mil agentes que já fazem regularmente o combate aos focos do mosquito em Goiás.
Segundo a superintendente, foram registrados 85% de casos de dengue em Goiás, antes do verão. Já no início da temporada de chuvas, o índice subiu para 93% em todo o estado. “Este ano, esperamos os números de contraídos pela doença esteja menor em relação a 2011.”
Dengue tipo 4
Apesar do recuo dos casos de dengue no estado, a identificação da dengue tipo 4 em Goiás preocupa a população e os órgãos de saúde. “Estamos em alerta vermelho. Não existe unidade do tipo 4 no estado. Foram quatro casos confirmados, dois em Goiânia, um em Aparecida e o último em Trindade”, ressalta a superintendente.
A única forma de prevenção é eliminar os focos do mosquito transmissor. Por isso, 130 fiscais das Vigilâncias Sanitária e Ambiental, além de 300 agentes de endemias, vistoriam locais como borracharias, ferros velhos, depósitos de veículos e áreas que podem apresentar uma maior incidência de proliferação.
Os proprietários que não extinguirem os focos de dengue após notificação da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) podem ser multados entre R$ 517 e mil reais. A ação em residências também continua. Em 2011, os agentes eliminaram criadouros do mosquito em casas abandonadas.
Tânia explica que a entrada do vírus tipo 4 da dengue é um complicador. Segundo ela, a dengue tem aparecido em surtos de verão. Ou seja, depois dos períodos de chuva, o número de casos cai. “É um momento de alerta em que todos devem fazer sua parte para evitar a possibilidade de uma epidemia da doença”.
As ações de combate ao vetor estão sendo fortalecidas após a introdução do novo vírus. “Com a entrada da dengue do tipo 4, o que ocorre é que nós não temos pessoas da população imunes, resistentes a esse vírus. Nós podemos, mesmo tendo havido uma epidemia no ano passado, repetir a situação.”
Os graus da Febre Hemorrágica da Dengue
* Grau 1 – febre acompanhada de sintomas inespecíficos, em que a única manifestação hemorrágica é a prova do laço positiva.
* Grau 2 – além das manifestações constantes do grau 1, somam-se hemorragias espontâneas leves (sangramento de pele, epistaxe, gengivorragia e outros).
* Grau 3 – colapso circulatório com pulso fraco e rápido, estreitamento da pressão arterial ou hipotensão, pele pegajosa e fria e inquietação.
* Grau 4 – choque profundo com ausência da pressão arterial e pressão de pulso imperceptível.
Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS)









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