Com a economia cada vez mais acelerada, Goiás está a pleno vapor. É notável o crescimento do número de vagas em todos os setores, mas especialmente nas indústrias. Nos últimos dez anos, a economia goiana deu um salto de 56,42%, superando a média brasileira, que é de 42,85%.
Apesar da crise internacional, a taxa de crescimento da economia de Goiás em 2011 foi de 0,9%, acima da média brasileira que registrou taxa negativa de 0,3%. Foram adicionados à economia goiana R$ 10,344 bilhões, maior incremento anual da série histórica do PIB. Também foi recorde a participação de Goiás na economia nacional (2,6%), mantendo o estado como a 9ª economia do País.
É fácil perceber que tantos números positivos trazem como resultado geração de novos empregos. Ótima notícia para quem está procurando uma vaga. Só que antes de sair por aí distribuindo currículos, é importante o trabalhador responder a uma pergunta: possui a qualificação necessária?
Mesmo que o estado esteja crescendo a pleno vapor, é importante ressaltar que grande parte das vagas que surgem tem como exigência básica uma formação ou conhecimento prévio da área. E quando a pessoa não possui um curso superior - seja por falta de tempo ou de recursos - os cursos técnicos surgem como a melhor saída.
Embora estes cursos sejam mais rápidos e acessíveis, muitos ainda alegam dificuldades para iniciar a profissionalização. Para facilitar o caminho de quem busca uma formação é que surgiu o Programa Bolsa Futuro, criado pelo governo de Goiás, por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectec).
O programa visa reunir todos os cursos técnicos ofertados pelo Estado, e qualificar 500 mil goianos nos próximos três anos. Para 2012, serão 50 mil vagas, que seguem com as inscrições abertas até o dia 16 de fevereiro.
Além de oferecer os cursos, o Bolsa Futuro destinará R$ 75 mensais para integrantes de famílias que estejam inseridas nos programas Bolsa Família e Renda Cidadã, e que se matricularem nos cursos de qualificação profissional. O objetivo é incentivar a inserção desses indivíduos no programa. A meta é que, do total de 500 mil vagas oferecidas, 200 mil goianos sejam beneficiados com o auxílio de custo.
De acordo com o secretário de Ciência e Tecnologia, Mauro Faiad, o objetivo é atingir uma parcela da população que normalmente não procura os cursos de qualificação. “A maioria dessas pessoas que não procura a qualificação, está cadastrada em programa como o Bolsa Família e o Renda Cidadã”, analisa.
Qualificação para o mercado
Mauro Faiad explica que em paralelo a essa ação que oferece benefícios a usuários de outros programas, a estrutura de Educação Profissional já existente está em funcionamento normal. A integração entre todas essas ações é que forma o Bolsa Futuro, que já é considerado o maior programa estadual de qualificação técnico-profissional do país.
“Esses cursos também são gratuitos. No ano passado, formamos 70 mil alunos nos 13 CEPs instalados. Ou seja, vamos formar ao menos 120 mil neste ano. Nossa meta é formar 500 mil até 2014 com as duas modalidades”, revela.
Na opinião do secretário, muito ainda precisa ser feito para que seja formada mão de obra qualificada e que acompanhe os avanços econômicos do estado. “Os números mostram o tamanho do desafio que temos. Somos a 9ª economia e a 12ª unidade do país em renda per capita. Ao mesmo tempo, estamos na 17ª posição em qualificação. Qualificar significa aumentar a renda e aumentar a renda significa elevar o PIB”, pontua.
Qualificar mão de obra é uma medida que irá trazer inúmeros benefícios a longo prazo. Injeta mais dinheiro na região, valoriza o profissional local, e ainda chama a atenção de grandes empresas e até multinacionais para investir na mão de obra goiana.
“O Programa tem impacto direto e indireto na economia. Só com o auxílio financeiro, serão injetados R$ 22,8 milhões nas economias locais durante os seis meses de curso. Haverá demanda por professores nessas regiões. Ao final do curso, a Sectec vai coordenar a inserção desses alunos no mercado de trabalho”, analisa Faiad.
Investir em educação é a saída. Inúmeras ações governamentais já mostram os efeitos sociais e econômicos de se valorizar ações com cunho educacional. A qualificação técnica é só mais um exemplo disso.
A falta de qualificação profissional é constantemente apontada pelo setor produtivo como um dos motivos que impedem o desenvolvimento e avanço produtivo do estado. É comum que algumas empresas que aqui se instalam precisem buscar em outros estados trabalhadores qualificados, especialmente para o setor industrial.
Os mecanismos estão cada vez mais técnicos e informatizados. Isso exige qualificação, e principalmente constante aperfeiçoamento. Com a falta de trabalhadores preparados, não é incomum o setor produtivo reclamar de um verdadeiro apagão de mão de obra.
E para evitar apagões como esse, é importante que os trabalhadores, verdadeiro combustível da economia, estejam preparados para todos esses avanços do mercado.
Com inscrições abertas, programa pretende qualificar 50 mil em 2012
Rápidos, direcionados para a área de formação e essencialmente práticos, os cursos técnicos são ideais para quem busca uma vaga no mercado de trabalho e não tem muito tempo a perder. Servem também como “amostra” do que um curso superior pode oferecer. O estudante começa a se interessar por uma área e faz cursos técnicos sobre o assunto. Caso se identifique, investe em uma graduação.
Hoje, inúmeros institutos e escolas, como o Sistema S de Educação, oferecem centenas de cursos gratuitos para toda a comunidade. Mas se há oportunidades, porque muitos ainda não tem qualificação? Uma das explicações pode ser encontrada na falta de tempo, ou até mesmo de informação sobre os cursos.
De acordo com a chefe do Gabinete de Gestão de Capacitação Profissional e superintendente de Capacitação Profissional, Soraia Paranhos, uma das metas do Programa Bolsa Futuro é incentivar as classes mais pobres, em especial os pertencentes a outros programas sociais, a buscar qualificação e formação adequada.
Para ela, não basta somente ter mais vagas disponíveis para tirar centenas de pessoas do índice de desempregados. É preciso que eles estejam preparados para o mercado.
“A meta do governo é preparar os trabalhadores goianos para o mercado de trabalho. Estamos formando mão de obra qualificada para acompanhar o crescimento do estado. Não adianta surgir inúmeras vagas, se o trabalhador não tem formação apropriada para concorrer”, analisa.
Nessa primeira etapa do programa estão sendo oferecidos cursos como o de Porteiro e Zelador, Secretariado e Caldeireiro. De acordo com Soraia, todos os cursos estão disponíveis em todos os polos de ensino.
Soraia explica que foi feito um diagnóstico de todo o estado, traçando assim as necessidades de cada região. “Acreditamos que as áreas selecionadas são as de maior demanda de vagas”, afirma.
Ela conta que são cerca de 60 polos no estado, todos equipados com laboratórios onde o aluno terá aulas presenciais e à distância. Somente na capital goiana, serão quatro polos para atender a população.
Os cursos podem ser feitos em qualquer período, facilitando a vida de quem estuda ou trabalha durante o dia. “São quatro horas de aulas nos polos, e depois mais oito no ambiente virtual, totalizando doze horas semanais”, explica Soraia. Dessa forma, o aluno pode comparecer às aulas presenciais no horário que for mais adequado, e depois em casa, ou no polo de ensino mesmo, complementar a carga horária semanal.
Com duração de seis meses, após terminada a formação, o indivíduo terá o currículo disponibilizado em um site para o encaminhamento às empresas interessadas.
Para efetuar a inscrição, o interessado deve comparecer nos polos de ensino da sua cidade. Os endereços estão disponíveis no site da Sectec. A superintendente de capacitação profissional revela que o resultado dos classificados à bolsa será divulgado a partir do dia 12 de março. As aulas terão início em abril.
“Dependendo da demanda das vagas, vamos avaliar questões como a menor renda per capita, o maior tempo como desempregado, o maior número de dependentes etc. Com essas informações, vamos selecionar os mais necessitados”, afirma.
Vale ressaltar que essa oferta de vagas é válida somente para participantes de programa sociais, como o Bolsa Família. Soraia explica que para as pessoas que não se encaixam nesse perfil, outras ações estão sendo feitas.
“Esses cursos são só uma das ações que compõe o Programa Bolsa Futuro. Temos também outras inciativas que oferecem cursos técnicos ou de curta duração gratuitos para toda a comunidade. Um exemplo disso é o caso do Centro de Educação Profissional em Artes Basileu França, que dispõe de cursos gratuitos nas áreas de Artes e Cultura”, pontua.
Áreas de atuação
Comércio
Técnico de Vendas;
Secretariado e Rotinas Administrativas;
Recepção de Hotel e Atendente de Bar
Agropecuária
Técnicas Agrícolas;
Reprodução Animal e Produtividade do Gado Bovino Leiteiro
Funções de apoio
Cuidador de Idosos e Crianças;
Porteiro e Zelador
Indústria e infraestrutura
Básico em Eletricista e Encanador
Caldeireiro
Destilador de Álcool
Fonte: Site Sectec









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