Sábado, 31 de Outubro de 2009
Política
Petistas defendem volta às origens
João Adolfo Amaral Estagiário Convênio Tribuna/ UFG
O Partido dos Trabalhadores precisa se reaproximar dos movimentos sociais, um dos pilares da sua fundação do qual se distanciou nos últimos tempos. Esta é a meta dos candidatos ao diretório estadual da legenda ouvidos pela Tribuna – o atual presidente do PT em Goiás, Valdi Camarcio, o deputado Mauro Rubem e o ex-vereador Sérgio Dias, o Serjão. É unânime entre eles a ideia de que o partido precisa retornar às origens. A eleição para a escolha dos novos comandantes dos diretórios petistas será realizada no próximo dia 22 e um dos desafios das próximas gestões será unir as ideias dos movimentos sociais com as de quem está ou poderá exercer o poder.
Além disso, os candidatos concordam que é preciso fortalecer o partido, em especial no interior do Estado, e formar novas lideranças, visando não apenas a disputa estadual do ano que vem, mas também a municipal de 2012. Seja qual for o vencedor no processo eleitoral do PT, a luta será uma só: a formação de um palanque para a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, formado pela união dos partidos que compõem a base do presidente Lula no Estado.
Ninguém esconde que a prioridade do PT é montar um palanque forte para a ministra. No entanto, petistas de toda ordem mantêm o discurso de candidatura própria. Alguns afirmam, inclusive, que o partido está disposto a lutar pela postulação do deputado federal Rubens Otoni ao governo estadual mantendo, mesmo assim, a aliança com o PMDB. Embora pareça surreal essa tese, é nela que Otoni se apega ao visitar o interior do Estado como interlocutor do presidente Lula em Goiás.
A hipótese de candidatura petista, porém, passa pelo PMDB, do prefeito Iris Rezende, e pelo PP, do governador Alcides Rodrigues. Afinal, o próprio Otoni admite que não sairia candidato ao governo se não fosse com o amplo apoio da base do presidente Lula. Nos bastidores, os petistas trabalham para aproximar PMDB e PP e acreditam que, como historicamente os dois partidos costumavam estar em lados opostos, eles poderiam se unir em prol de uma terceira candidatura que tivesse o apoio comum das duas siglas. Aí entraria Otoni. Impossível? Não. Apenas improvável.
Partido preparado para ir às urnas
É com este discurso de retorno às origens que o partido se prepara para ir às urnas, por meio do Processo de Eleições Diretas (PED), realizado para a escolha dos novos diretórios estaduais, municipais, nacional e zonais. Além dos presidentes, as chapas incluem os representantes dos Conselhos Fiscais e das Comissões de Ética, delegados para os próximos congressos estaduais e para o 4º Encontro Nacional. Quatro candidatos disputam o comando do PT goiano.
Valdi Camarcio, da tendência “PT pra vencer”, tenta a reeleição com apoio de outras duas tendências: “Articulação” e “Movimento PT”. Seus principais apoiadores são o deputado Rubens Otoni, o vice-prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, os deputados estaduais Luís César Bueno e Humberto Aidar, a ex-deputada federal Neyde Aparecida e o prefeito de Anápolis, Antônio Gomide.
Suas metas são: fortalecimento do partido no Estado e nos municípios, aprimoramento da interlocução do diretório com os detentores de mandato, reaproximação com os movimentos sociais e a preparação para o pleito de 2010. Valdi defende uma chapa unitária da base do presidente Lula, com PT, PMDB, PR, PP, PDT, PC do B, PSB e PSC.
O candidato da “Tendência Marxista” é o deputado estadual Mauro Rubem. Suas principais metas são a reaproximação com os movimentos sociais, união do partido numa gestão que o conduza a conquistar novos espaços, definição, de “forma altiva, unitária e pelo interesse do partido, de lançamento ou não de uma candidatura própria ao governo estadual, do programa de governo e das alianças”. Mauro Rubem apoia a consolidação da aliança com o PMDB, mas com Otoni na cabeça da chapa.
Apoiado pelo deputado Pedro Wilson e pela ex-vereadora Marina Sant'anna, o ex-vereador Serjão, é o nome do “Movimento Cerrado”. Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política, ligado à Renovação Carismática Católica, Serjão traz como principais objetivos a descentralização das ações do partido, evitando que este fique focado apenas na capital e possa ganhar força também no interior, a realização de uma gestão que una todas as tendências, a reaproximação com os movimentos sociais e a criação de uma escola de formação política. Defende ainda uma renovação nos quadros do diretório estadual.
O quarto nome na corrida é o do ex-coordenador do Diretório Central dos Estudantes da UCG e atual Assessor da Juventude da prefeitura de Goiânia, Igor Campos, do “Movimento de Ação e Identidade Socialista” (MAIS). Igor é o mais jovem entre os candidatos, com apenas 27 anos.
Nas eleições para o diretório municipal petista cinco chapas disputam. Além do deputado estadual Luis César Bueno estão no páreo a presidente do Sindsaúde Maria de Fátima Veloso, Antônio Gilson Pires da Silva, José Antônio de Oliveira e Tales de Castro Cassiano.
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