Além das seleções que já venceram, Holanda, Espanha e Portugal correm por fora
Eduardo Sartorato
Mais uma Copa do Mundo se aproxima, e mais uma vez é pequena a possibilidade de novas admissões no seleto grupo de países que já venceram a competição. A tendência maior é que o "corporativismo" se confirme e que o título não saia das mãos de Alemanha, Argentina, Brasil, França, Inglaterra e Itália, seleções que já conquistaram a taça pelo menos uma vez. As únicas equipes que ainda podem surpreender e quebrar esta barreira de favoritismo são as seleções de Holanda, Espanha e Portugal. Fora daí tudo o que vier é zebra. E das grandes.
O mundial começa no dia 9 de junho com Alemanha e Brasil como os grandes favoritos. Os germânicos por jogarem em casa, fator que sempre dá ótima vantagem aos países-sede (ver correlata). Esta é a grande, e única, vantagem dos alemães, já que nem mesmo a sua torcida acredita no potencial técnico da equipe.
Já o Brasil tem hoje o melhor elenco do mundo, a ponto de deixar um jogador como Robinho no banco. Além disso, a equipe de Carlos Alberto Parreira passa por uma das melhores fases de toda a história. É a atual campeã de quase todos os principais torneios internacionais (Copa América, Copa das Confederações e Copa do Mundo), lhe faltando apenas a medalha de ouro olímpica.
Um pouco mais abaixo nas cotações está a Inglaterra. Os britânicos possuem um time que impõe respeito. Com uma defesa bem estruturada, um meio de campo criativo e um ataque talentoso, a torcida inglesa confia no grupo para acabar com o jejum de 40 anos. Contudo, a seleção inglesa não costuma se dar bem em Copas do Mundo e sofre com a pressão na hora "H".
Os italianos também possuem um time que promete não decepcionar. O maior problema da seleção, porém, está fora das quatro linhas. A Itália vive um grande escândalo de manipulação de resultados e o técnico Marcello Lippi é um dos acusados de participação na trama. Pressionado a deixar o cargo, Lippi conseguiu driblar seus inquisidores e ainda permanece no comando. Mas uma instabilidade como esta pode prejudicar a seleção.
A Argentina é sempre favorita em Copas do Mundo. A convocação dos nossos vizinhos mostrou que talentos individuais não faltam ao time. Mas, mesmo assim, a seleção argentina não empolga tanto quanto em Copas passadas. O conjunto ainda não mostrou o seu valor, o que deixa dúvidas no ar em relação ao seu desempenho na Alemanha.
Já os franceses podem surpreender, porém o trabalho de renovação ainda está pela metade.
Ter um time mesclado entre novos e veteranos é muito bom, mas a equipe francesa mostra que ainda está engatinhando na formação de um time competitivo capaz de vencer uma competição como a Copa do Mundo. Pode ficar muito dependente de jogadores experientes como Zidane e Henry, o que limita a atuação da equipe.
Os outros
Além dos seis campeões mundiais que participam da Copa, não se pode esquecer de outras seleções que, mesmo correndo por fora, podem surpreender. Espanha, Portugal e Holanda nunca tiveram a honra de levantar o troféu mais cobiçado do mundo, mas possuem boas equipes e tradição. Principalmente a Espanha, que vem de uma Copa amarga no Japão e na Coréia, quando foi eliminada devido a erros consecutivos da arbitragem. Sempre apontada como favorita, a Espanha nunca conseguiu se impor - a melhor colocação foi um quarto lugar em 1950.
O maior mérito de Portugal é poder contar com jogadores como Luís Figo e Deco, além do técnico brasileiro Luís Fellipe Scolari. A equipe de Felipão não teve grandes problemas para se classificar nas eliminatórias e vem de um vice-campeonato na Eurocopa, em 2004. Apesar do resultado ter sido frustrante, pelo fato da seleção ter jogado em casa, a competição valorizou muito este grupo de jogadores.
Tempo para se organizar não será desculpa para a seleção da Holanda. Como não conseguiu se classificar para a última Copa do Mundo, o trabalho de renovação pôde começar mais cedo. E até agora deu muito certo. Jogadores experientes como o goleiro Van der Sar, o meio Philip Cocu e o atacante Ruud van Nistelrooy vão comandar uma equipe onde a maioria dos jogadores vai estrear em Copas. Mesmo assim, formam um time com muita qualidade.
Os destaques
Alemanha
Títulos: 1954, 1974 e 1990
Ponto Forte
Favoritismo vem principalmente por jogar em casa. A história mostra que ser anfitrião de Copa do Mundo sempre rende um bom desempenho.
Ponto Fraco
O time evoluiu muito pouco em relação ao que foi vice-campeão em 2002. Até mesmo na Alemanha são poucos os que acreditam no poderio técnico da equipe.
Argentina
Títulos: 1978 e 1986
Ponto Forte
A raça e a habilidade de jogar competições mata-mata são características que os argentinos têm de sobra. Além disso, possui vários talentos individuais como Riquelme, Saviola e Tevez.
Ponto Fraco
Ainda não está jogando de forma a agradar os torcedores e críticos. Caiu num grupo muito difícil, por isso não vai ter tempo para crescer na competição.
Brasil
Títulos: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002
Ponto Forte
É ótima a fase que passa o futebol brasileiro. É o atual campeão de três dos quatro principais títulos internacionais. Possui um elenco de dar inveja a vários países.
Ponto Fraco
Historicamente o Brasil tem dificuldade de jogar com o peso de favorito nas costas. Como maior vitorioso da competição, pode ter adversidades fora de campo para ganhar o hexa.
França
Título: 1998
Ponto Forte
Possui uma nova geração mesclada com alguns veteranos, o que pode dar consistência ao time. Além disso conta com o talento de Zidane e o oportunismo de Henry.
Ponto Fraco
Diferentemente de anos anteriores, o meio de campo francês é fraco e inexperiente. Com Zidane e Henry bem marcados, o time pode encontrar problemas para atacar.
Inglaterra
Título: 1966
Ponto Forte
Possui um grande time, talvez o melhor dos últimos anos. Conta com grandes talentos individuais como Lampard, Gerrard, Owen e Rooney.
Ponto Fraco
O futebol inglês sempre foi burocrático e, por isso, encontra dificuldades em fases de mata-mata. A falta de vibração pode afundar mais uma vez o time.
Itália
Títulos: 1934, 1938 e 1982
Ponto Forte
Vai à Copa com um time
acertado e grandes talentos
individuais. Conta com
jogadores experientes como
Totti, Buffon e Cannavaro.
Ponto Fraco
O país passa por escândalo de manipulação de resultados. O técnico Marcello Lippi foi acusado de envolvimento. Há quem defenda sua substituição.
Favoritismo europeu deve prevalecer
Por ser disputada na Europa, a Copa do Mundo da Alemanha deverá ter como campeã uma seleção européia. O maior argumento para defender a afirmação é a própria história. Das nove vezes que o torneio foi disputado no velho continente, em oito delas o título acabou nas mãos de seleções européias. Apenas uma vez, um "intruso" foi campeão - na Suécia, em 1958, quando o Brasil bateu a seleção da casa na final e conquistou o seu primeiro título mundial, superando o trauma de ter perdido a Copa de 1950 jogando em casa.
Disputar a Copa em casa é o maior trunfo dos europeus. Apesar de sempre apresentarem bons times e estarem na lista de favoritos, os números de Copas passadas mostram que o fator é determinante. O maior exemplo disso é que nunca uma seleção européia venceu a Copa do Mundo longe de casa. Todas as oito edições disputadas fora da Europa tiveram como campeões times sul-americanos - quatro vezes o Brasil, duas vezes a Argentina e dois títulos para o Uruguai.
A maior razão desta polarização tem relação direta com um pequeno "empurrão" que todas as seleções européias recebem ao jogar em casa. Dentro de um país europeu é muito mais fácil para receber o apoio do torcedor, que certamente sairá de todos os cantos do continente e lotará a Alemanha no próximo mês. Além disso, a repercussão da mídia local, o incentivo dos parentes e a motivação extra são fatores que também ajudam no caminho à glória maior do futebol.
Além disso, sediar uma Copa do Mundo é meio caminho andado para que a seleção local chegue longe. A história das Copas é cheia destes exemplos. Das 17 edições do torneio, em seis vezes a taça acabou na mão do país-sede. Nas outras oportunidades, a seleção de casa sempre terminou em honrosas colocações. Como o México, por exemplo, que sediou duas Copas e em ambas conseguiu chegar ao sexto lugar, nas quartas-de-final, a melhor performance do país em toda a história.