Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.315 Goiânia, 19 A 25 de fevereiro de 2012
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politica

Sob a sombra de Demóstenes

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Desde o fim das eleições 2010, o nome do senador Demó­ste­nes Torres (DEM) é o mais comentado para ser o candidato da base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB) à prefeitura de Goiânia. De lá para cá pouca coisa mudou, a não ser o número de pretendentes ao posto. Os outros sete pré-candidatos que dizem hoje trabalhar para ser o concorrente do prefeito Paulo Garcia (PT), porém, esbarram na parede criada pelo ‘talvez’ do senador. Isto tem diminuído o ímpeto dos pré-candidatos, o que resultou em um ritmo de marcha lenta nas decisões do grupo governista.
Até mesmo os pré-candidatos admitem que, caso queira, Demóstenes tem todas as chances de unir a base e tornar-se candidato único dos aliados. O fato mostra que até mesmo a tímida movimentação dos postulantes ocorre sob um clima de incerteza, já que o ‘sim’ do senador pode interromper, a qualquer hora, todo o processo e acabar com os planos daqueles que hoje trabalham para se viabilizarem.
Lideranças do grupo gove­rnista já pressionam o senador a tomar logo a sua decisão – o sim ou não do parlamentar desbloquearia o processo na base aliada e daria rumos para que o afunilamento das pré-candidaturas possa de fato ocorrer. Quem mais tem batido na tecla de que Demóstenes Torres precisa sanar a sua indecisão o quanto antes é o presidente regional do PSDB, Paulo de Jesus. “Queremos decidir (a candidatura em Goiânia) o quanto antes. Se o DEM decidisse logo (se Demóstenes será ou não candidato), seria muito bom para a base”, disse o presidente, há duas semanas a Tribuna.
A espera também incomoda o secretário estadual de Saúde, Antônio Faleiros. Em entrevista a Tribuna (leia na pág. 5), o secretário diz que espera uma decisão no curto prazo. “A gente não pode ficar esperando. Ele tem de definir se o projeto dele é esse ou não. (...) Acredito que agora, fevereiro ou março, o senador vai decidir se é candidato”, defende.
O presidente do PSD regional e chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha, é outro que não tem demonstrado apreço em esperar pela decisão final do senador. Recentemente, Vilmar comparou a espera por Demóstenes à crença do sebastianismo – movimento que acreditava na volta do rei Dom Sebastião de Portugal, morto em batalha no Oriente Médio, no século XVI. O presidente ainda disse que não vai mais esperar o senador e que o PSD trabalhará com possibilidade de lançar um candidato próprio na capital.

Cabo eleitoral
Já os outros pré-candidatos da base aliada refutam a ideia de que há um atraso e um prejuízo na escolha do candidato devido à indecisão do senador Demóstenes Torres. Na explicação, porém, deixam claro que não querem entrar em atrito com o parlamentar, já que qualquer candidato que representar o grupo do governo estadual nas eleições de Goiânia vai precisar contar com Demóstenes durante a campanha, como um dos principais cabos eleitorais. Ou seja, eles próprios colocam-se em segundo plano.
O deputado estadual Fra­ncisco Júnior, pré-candidato pelo PSD, acredita que a base aliada não possui um candidato natural e que este jogo de espera é “bom para o senador”, já que mantém o seu nome na mídia, mas lembra que, mesmo que ele não dispute, terá um papel importante nas eleições. “Demóstenes será um cabo eleitoral fundamental”, crê. Ele diz ainda que o prejuízo que se pode ter com esta espera é “mínimo”.
Um dos pré-candidatos pelo PSDB, o secretário estadual de Meio Ambiente, Leonardo Vilela, fala que não está parado, mas confessa que está esperando a definição do Conselho Político – grupo de políticos liderado pelo ex-prefeito Nion Albernaz com o objetivo de encontrar o melhor perfil entre os tucanos para a disputa. Apesar da sua pré-candidatura, Leonardo admite que Demóstenes teria facilidade em ter o apoio do PSDB, caso seja candidato, e que terá mais tempo para se definir, caso não chegue a uma decisão até o dia 5 de fevereiro (prazo estipulado pelo próprio senador). “Vamos continuar com um projeto paralelo”, avisa.
A demonstração de força de Demóstenes Torres sobre os pré-candidatos vai além, no caso do PP. O deputado Sandes Júnior, presidente metropolitano do partido e pré-candidato, defende que o senador deva ser o candidato. Questionado se não há uma desvalorização dos próprios postulantes ao abrirem mão de seus projetos, caso Demóstenes queira ser candidato, Sandes acredita que não: “as pessoas têm consciência das pesquisas e do momento. É um ato de humildade”.

Prejuízo
Além do próprio prejuízo temporal e de exposição que os pré-candidatos levam ao estar a reboque no processo de escolha do candidato à prefeitura de Goiânia, quanto mais o tempo passa, mais difícil será obter a unidade de todos os partidos do grupo governista, na hipótese de Demóstenes Torres não concorrer. Isto, ainda, gera uma alerta maior, principalmente porque, nos bastidores, pouca gente acredita no ‘sim’ do senador.
Ainda que vagarosamente, os candidatos têm trabalhado seus nomes em suas bases eleitorais, buscando ocupar espaços vagos na política goianiense. À medida que o tempo passe, este trabalho vai ganhando corpo, e corre o risco de que lá na frente a base aliada tenha dificuldade de ver estes pré-candidatos abrirem mão dos projetos que já construíram e dos compromissos que assumiram. Como hoje, exceto Demóstenes, não há ninguém que desponte, no futuro poderá faltar fatores de união, o que colocaria o grupo governista dividido diante da união de PMDB-PT em torno da candidatura do prefeito Paulo Garcia.

Cronologia: Base sem definição

* Outubro/2010 – O senador Demóstenes Torres é reeleito para mais oito anos no Senado com mais de 2 milhões de voto e transforma-se no principal cabo eleitoral de Marconi Perillo, do então candidato ao governo, no segundo das eleições;
* Novembro/2010 – Com a vitória de Marconi Perillo, Demóstenes passa a ser apontado como principal nome da base aliada para concorrer à prefeitura de Goiânia. Há, inclusive, um compromisso de apoio do tucano ao senador, caso este deseje ser candidato;
* Fevereiro/2011 – O deputado federal Ronaldo Caiado lança o nome do senador Demóstenes Torres como pré-candidato do DEM à prefeitura de Goiânia;
* Março/2011 – O deputado estadual Fábio Souza assume o diretório metropolitano do PSDB e fortalece sua pré-candidatura;
* Julho/2011 – Mais um pré-candidato na base aliada: deputado Túlio Isac coloca o seu nome à disposição;
* Agosto/2011 – O secretário estadual de Meio Ambiente, Leonardo Vilela, transfere o seu domicílio eleitoral de Mineiros para a capital e entra na briga pela indicação.
* Setembro/2011 – O PSD é criado com discurso de ter candidato próprio na corrida eleitoral em Goiânia. Os deputados Francisco Júnior, Thiago Peixoto e Armando Vergílio são os nomes apontados;
* Outubro/2011 – A pesquisa Serpes/O Popular aponta Demóstenes como o preferido do eleitor goianiense. O senador pede tempo para analisar a questão;
* Novembro/2011 – O deputado Sandes Júnior (PP) diz que é candidato, caso o senador Demóstenes não seja. O tucano João Campos anuncia que está na disputa;
* Dezembro/2011 – A pesquisa Ipem / Tribuna do Planalto aponta o senador Demóstenes Torres com cerca de 32 pontos porcentuais de vantagem sobre o prefeito Paulo Garcia. O senador anuncia que decidirá até início de fevereiro. O deputado Jovair Arantes oficializa sua pré-candidatura à prefeitura de Goiânia;
* Janeiro/2011 – Túlio Isac desiste de sua pré-candidatura. Informações de bastidores colocam Leonardo Vilela como o favorito do Palácio das Esmeraldas para a disputa das eleições caso Demóstenes não seja candidato;


 

Jovair: “Minha candidatura não depende da de Demóstenes”

Na contramão da base aliada, o deputado federal Jovair Arantes (PTB) dá todas as mostras de que não há vínculos entre a sua pré-candidatura e a decisão do senador Demóstenes Torres (DEM) em ser, ou não, candidato. “Sou candidatíssimo. A minha candidatura não depende da dele. Uma candidatura tem de somar, agregar o apoio de partidos, e isto o que estamos buscando”, revela.
Jovair Arantes lançou o seu nome como pré-candidato no início do mês passado, em evento do PTB. Desde então, ele e seus aliados mais próximos vêm defendendo a tese de que o PTB tem legitimidade de lançar um nome próprio, independente de outras candidaturas que possam surgir na base governista. Até o momento, Jovair mantém o discurso de ‘independência’ e dá pistas de que está em ampla negociação com outros partidos.
O deputado diz que pretende, em breve, reunir-se com o governador Marconi Perillo para apresentar o seu nome e pedir apoio ao tucano. “Já apoiamos várias vezes e agora chegou a minha vez”, cutuca. Questio­nado se as decisões de candidatura na base aliada passam necessariamente pelo governador, Jovair diz: “não passa necessariamente por ele, mas o seu apoio fortalece muito”.
Histórico
Jovair Arantes assumiu a sua pré-candidatura em Goiânia após a frustrada tentativa de ser indicado como conselheiro do Tribunal de Contas da União (TCU). Anteriormente ao anuncio, o PTB mantinha dois pré-candidatos à prefeitura: o deputado estadual e presidente do PTB metropolitano, Talles Barreto, e o secretário estadual de Cidadania, Henrique Arantes, filho de Jovair.
Em 2008, o PTB também manteve um pré-candidato até as vésperas da eleição. Talles Barreto nutriu por vários meses a sua pré-candidatura, chegando até mesmo discutir os problemas da cidade em entrevistas. Na hora do afunilamento, po­rém, o PTB acabou apoia­ndo a candidatura do deputado federal Sandes Júnior (PP), que teve a preferência do então governador Alcides Rodrigues (PP).

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