Tribuna do Planalto

Desde 1986 Fundador e Diretor-Presidente Sebastião Barbosa da Silva tribunadoplanalto.com.br
Ano 26 - Nº1.315 Goiânia, 19 A 25 de fevereiro de 2012
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“Se Jovair decidir ser candidato, ele será; ninguém vai impedi-lo”

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O secretário estadual de Saúde, Antônio Faleiros, administra uma das maiores crises já vivenciadas na administração da saúde pública no Estado. Franco, o secretário não nega os problemas, mas ressalta que eles não são de hoje. Critica ainda a posição das entidades que, segundo ele, deveriam ter feito as cobranças no passado e não apenas hoje. Um dos fundadores do PSDB em Goiás, Antônio Faleiros também fala de política à Tribuna do Planalto. O tucano crê na unidade em torno de Demóstenes Torres, mas avalia que sem ele o PSDB tem prioridade de lançar um candidato na capital. Ele cobra uma definição da candidatura na base aliada, mas lembra que o próprio governador Marconi Perillo, em 1998, saiu candidato de última hora e venceu a disputa. Portanto, não há uma fórmula exata. Abaixo, os principais trechos da entrevista:


Tribuna do Planalto - Em relação à eleição de Goiânia, como o senhor está vendo a definição dos candidatos da base aliada, e a espera pela decisão do senador Demóstenes Torres?
Antônio Faleiros - Não tenho acompanhando muito, mas vou dar meu palpite aqui. Apesar de ter sido convidado a participar do grupo coordenado pelo Nion, mas não pude participar de nenhuma reunião porque  tenho outro compromisso aqui na pasta. Eu acho que Demóstenes querendo ser candidato, terá consenso da base aliada porque é um nome que transita bem e tem densidade em Goiânia. Mas acredito que não podemos ficar esperando, ele precisa definir qual é o projeto dele. Mas sempre tem um detalhe, porque o candidato nem sempre é aquele que há muito tempo se coloca como candidato. Em geral, essa questão se afunila às vésperas das convenções. Acho que nesse início de ano o senador Demóstenes vai se pronunciar se será ou não candidato.

 

Mas essa espera pela definição de Demóstenes não acaba engessando a base em relação à organização do partido para a disputa?
Eu vou usar uma expressão folclórica, mas é aquela história, quando você sai na chuva e você molha a camisa, você tem dois riscos, de secar a camisa e chegar na frente ou então de pegar uma pneumonia. Então, às vezes o tiro pode sair pela culatra. O candidato precisa ter muita parcimônia, muito cuidado para não ir com muita sede ao pote. Primeiro porque quem bota a cara leva a tapa, então é preciso ter preparo. Em compensação tem alguns candidatos que saem perto das eleições e conseguem reverter o processo em pouco tempo. Nós podemos usar como exemplo o próprio Marconi, vocês se lembram que o candidato da base era o deputado Roberto Balestra, mas ele desistiu de ser candidato e Marconi resolveu se candidatar no último dia. Na época era desconhecido, no entanto ganhou do maior líder na época que era Iris. Então, de qualquer forma existem riscos.

Caso seja lançado outro candidato da base, o sr. acha que o PSDB deve ter o desprendimento de lançar candidato, ou deve apoiar a candidatura que esteja melhor nas pesquisas?
Eu não acho que a base deva lançar mais de um candidato. Todo partido tem direito de lançar seus candidatos, nunca discuti isso, e um partido só cresce com candidaturas e ocupação de cargos de relevância. O PSDB só é o que é hoje devido à candidatura do Nion em Goiânia. Naquela época nós tínhamos 23 prefeitos e foi isso que deu sustentação para o partido crescer e ganhar com Marconi. Mas é claro que nas últimas eleições o PSDB abriu mão para outro partido, mas acho que agora caso tenha um candidato que desponte, como é Demóstenes, eu acredito que o PSDB deve abrir mão. Mas se não for o senador, ai o PSDB tem direito de ter candidato e pedir o apoio dos demais partidos.

Mas e se chegar junho e nenhum pré-candidato do PSDB conseguir, o partido teria o desprendimento para outro candidato?
Se tiver algum pré-candidato como Demóstenes, sim, mas se todos estiverem em iguais condições, por que não o PSDB? Temos uma estrutura boa, temos o segundo maior número de filiados no Estado.
Mas essa tese também vale para os outros partidos. Eles podem pensar que Leonardo Vilela, Fábio Sousa, João Campos estão nas mesmas condições que Jovair Arantes, o que justifica mais de um candidato na base.
Em tese, você tem razão. Mas o PSDB não pode abrir mão para outro candidato nas mesmas condições, porque já abriu mão duas vezes. Segundo, devido à estrutura que o partido tem, inclusive pelo próprio governador do Estado que é do PSDB. Mas se porventura os outros partidos não tiverem essa condição ou o candidato não tiver competência para aglutinar a base, evidente que haverá outras candidaturas. Você citou o Jovair Arantes, se ele decidir ser candidato, ele será, ninguém vai impedi-lo. Cabe ao PSDB tentar aglutiná-lo, convencendo-o do contrário.

Mas a demora de definição de Demóstenes não dificulta essa articulação dos pré-candidatos para crescer até o período de definição?
Eu não sei até que ponto isso atrapalha, até porque os pré-candidatos estão trabalhando. Mas é claro que isso é um impeditivo também. Em compensação, aquele que conseguir fazer esse trabalho da melhor maneira possível agora sem mostrar que é candidato, mas fazendo articulações, com certeza já estará com a estrutura bem montada.

Leonardo Vilela é o melhor nome do PSDB?
Todos os nomes são pessoas que tem histórico eleitoral, e isso é o mais importante. João Campos foi uma surpresa eleitoral no início, mas se consolidou, tem Fábio Sousa, que também teve uma votação muito grande, todos eles foram bem sucedidos. O que eu acho que vai prevalecer é quem tem a melhor condição de articular. Alguns candidatos que têm um limite, segmentos definidos, e não conseguem avançar. O Leonardo Vilela tem uma boa estrutura e pode expandi-la, assim como os demais.

Mas não existe uma propensão ao nome de Leonardo no Palácio?
O governador nunca externou isso publicamente e eu acho que o partido está dando espaço para todos, e o afunilamento deve acontecer de maneira natural. Como você vai querer unidade da base sem unidade partidária? É preciso termos essa habilidade, para conseguir aglutinar a base. E eu acho que todos os pré-candidatos do partido têm essa visão.

Essa disputa entre Fábio Sousa e Leonardo Vilela não está saturando o partido?
Não sei, eu não acho. Ter disputa de bons nomes é preferível do que não ter nome. É salutar e dá vivacidade ao partido. O que não pode acontecer é a deterioração dentro do partido. Cada um deve assumir o compromisso de fazer seu trabalho até que um nome seja escolhido. Não podemos deixar acirrar de modo que seja irreconciliável lá na frente.

O governador bate o martelo em relação à escolha do nome do candidato?
O governador é muito hábil politicamente, as ações políticas dele é por convencimento. No momento certo ele irá convencer os pré-candidatos, ele não vai impor nada, porque nunca fez isso. Na eleição do Sandes, por exemplo, ele fez uma reunião ampla do partido. Então nesse ponto, Marconi é muito democrático.

O sr. é a favor de prévia no partido?
Eu sou favorável, não estou dizendo que sou a favor agora. Mas o PSDB não tem essa característica, tanto é que se confundiam prévias porque o partido sempre convocava uma pré-convenção para decidir o candidato. Com o Fernando Henrique Cardoso foi exatamente assim, fez-se uma consulta para sentir como os filiados estão em relação aos nomes em questão.

“Agora a crise está mais visível, mas já existia há tempos”

O que se comenta em relação à pasta da saúde é a relação dos hospitais que podem ser enviados para gestão de Organizações Sociais, o projeto já passou na Assembleia.  Essa é realmente a melhor saída?
Hospital é a empresa mais difícil que se tem de administrar, porque funciona 24 horas por dia e você não controla a demanda, você nunca sabe de qual tipo de serviço vai precisar. É preciso equipes 24 horas por dia para atender qualquer tipo de situação. Então, mesmo na iniciativa privada, é muito difícil administrar um hospital. No interior, muitos hospitais estão em dificuldade, e outros até fecharam as portas. Se no setor privado já é complicado, imagina no setor público em que o diretor não tem autonomia. Os diretores administram crises porque eles não podem comprar, não podem demitir, contratar, e é a lei que permite isso. Qualquer administrador deve achar que é uma loucura querer administrar unidades hospitalares como temos aqui. Hoje a solução é a Organização Social. O governo federal teve outra ideia que é a criação de uma empresa para gerir os hospitais.

Essa é uma aposta, o sr. já pensou que caso dê errado as respostas serão imediatas e a responsabilidade cairá em cima do sr.?
Não tenho dúvidas disso, mas aqui em Goiás, 100% dos exemplos são sucessos, todos os três hospitais administrados por Organização Social estão bem. Segundo, todos os Estados estão tendo essa mesma opção. Em São Paulo já são 77 hospitais nesse regime, Tocantins, 17, ai falo de governos do PSDB, mas no Rio, o governo peemedebista está fazendo a mesma coisa. É claro que é preciso ter uma estrutura para barrar entidades não tão idôneas, por isso é importante ter boa seleção. Outro ponto é a fiscalização, é preciso definir metas e fazer com que as empresas cumpram.

Com relação ao Hospital de Urgência de Aparecida de Goiânia, Huapa, como fica?
Em relação ao Huapa, o governador teve uma boa ideia em torná-lo uma extensão do CRER, e vamos transformá-lo em hospital especializado em cirurgias eletivas de ortopedia e traumatologia porque nós temos uma demanda reprimida de quase 4 mil cirurgias em Goiás. Então vamos fazer essa extensão para suprir essa necessidade e absorver essas outras cirurgias de lá na rede.

Na semana passada foram apresentados os projetos do HUGO 2 e do Hospital Materno Infantil. Em relação ao Materno Infantil, a prefeitura prevê a inauguração da Maternidade Dona Iris. Porque não fazer uma parceria entre município e governo?
Primeiro por que cada um tem a sua autonomia. O que a gente não pode fazer é sobreposição. Na verdade, o conceito é diferente, o que vamos fazer no Materno Infantil que hoje é uma maternidade de gravidez de alto risco. A carência é muito grande e não haverá sobreposição em relação à maternidade do governo e do município até porque os conceitos são diferentes. Depois do Materno Infantil, não teve nenhuma construção de leito público, então há uma carência muito grande.

O sr. foi secretário de Saúde durante o governo de Henrique Santillo. O ex-governador construiu inúmeros hospitais e foi precursor na implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). O modelo atual que o Estado adota, de terceirização da gestão dos hospitais, não é uma antítese do modelo Santillo?
Não, não tem distinção, porque os hospitais continuam públicos. O que muda é a gerência da unidade. Ao invés de colocar três gestores que não tem autonomia, você passa para uma empresa fazer. Então, o hospital continua público, não é a OS que vai ditar o que vai ser feito, só muda mesmo a agilidade dos serviços.

O sr. ouviu muitas críticas, dizendo que houve uma precarização da saúde para que esse modelo fosse adotado. Como o sr. tem recebido isso?
Com naturalidade, críticas são feitas por pessoas que pensam o contrário e cabe a nós mostrarmos o contrário quando achamos que não são justas. Essa crítica mesmo eu combato mostrando dados, porque desde que assumi eu dizia que do jeito que está amarrada a administração não vai funcionar. Os hospitais chegaram a essa situação crítica porque nas administrações anteriores, não sei se todas, mas pelo menos na última eu tenho certeza, foi estimulado a ser feito o suprimento das unidades via fundo rotativo, mas de modo ilegal. O fundo rotativo é muito bom, mas deve ser feito dentro da lei. A lei preconiza que você só pode comprar determinado item até R$ 8 mil, no entanto na gestão anterior foram gastos R$24 milhões com fundo rotativo para os quatro hospitais administrados pelo Estado. Ou seja, todas as despesas com insumos foram feitas via fundo rotativo, por isso teve uma investigação de desvios de recursos. Quando nós diagnosticamos que não poderíamos utilizar o sistema rotativo, nós fomos buscar as compras centralizadas, mas acabamos não conseguindo comprar. Tanto é que fui autorizado pelo Estado a realizar compras diretas, porque é a única maneira de suprir as unidades.

 O presidente do Cremego, Salomão Rodrigues Filho, chegou a dizer que a saúde vive a maior crise da história do Estado. O sr. acha que ocorreu mesmo uma crise nessa dimensão?
Não gosto de minimizar as coisas, gosto de falar com franqueza. Primeiro eu acho que não é uma crise na saúde, acho que é uma crise na administração dos hospitais. Mas saúde pública não é hospital, muito pelo contrário, você não faz saúde pública nos hospitais, lá você trata e recupera a saúde. Saúde Pública é fazer com que as pessoas não precisem de hospital, promover saúde. Em segundo lugar, eu acredito que agora a crise está mais visível, mas já existia há tempos. Convidei todos os ex-secretários para virem aqui e todos eles confirmaram que essa situação já existia e as dificuldades sempre foram as mesmas. Agora nós estamos divulgando isso, estamos mostrando. Não me importa que as entidades de classe se posicionem e critiquem, mas eu acho que eles deveriam ter se preocupado em resolver isso há muito tempo. Eu falei isso na reunião com o Cremego. Se ao longo dos anos os médicos e as entidades tivessem feito essas críticas, talvez a situação poderia ter sido resolvida, mas de uma vez não tem jeito. Eu acredito que estamos no caminho para resolver, mas não é de uma hora para a outra. Para construir um hospital, leva tempo, no mínimo três anos.

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